Clínica São João de Deus

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São João de Deus
Escultura em madeira existente no átrio de entrada da Clínica S. João de Deus

 

João Cidade Duarte nasceu no dia 8 de Março de 1495, na Rua Verde, em Montemor-o-Novo, filho de modestos vendedores de fruta.

Aos oito anos, João ficou fascinado com as histórias que um viandante, acolhido em casa dos pais, contava sobre as aventuras que tinha passado no “novo mundo”. Nessa mesma noite fugiu de casa, para partir com o viandante. A mãe não suportou a angústia dessa partida, morrendo 20 dias após o desaparecimento do menino. O pai terminou os seus dias num convento franciscano.

Foram vivendo da ajuda popular, de aldeia em aldeia, junto a mendigos e saltimbancos, aprendendo esta profissão. Chegados à proximidade de Toledo, o viandante abandonou a criança, deixando-o porém aos cuidados de Francisco Majoral, pessoa conhecida pelas suas virtudes e caridade, regente dos rebanhos do Conde de Oropesa.

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João Cidade trabalhou como pastor nas montanhas até aos vinte e sete anos. Sentindo-se pressionado
para casar com a filha do regente, a qual amava como irmã, João foi-se embora e alistou-se como mercenário no exército espanhol de Carlos V, na guerra contra a França. Como soldado, foi tudo menos modelo de santidade, participando no jogo, na bebida e nas pilhagens. Acusado de ter roubado o botim de guerra quanto estava de sentinela é preso e condenado à morte por enforcamento, mas é agraciado no último instante por intervenção de um oficial. Foi, contudo espancado e deixado completamente nu.

Aos 38 anos decide ir para o Norte de África resgatar cristãos cativos, dirigindo-se para o porto de Gibraltar. Estando na doca à espera do seu navio, encontrou uma família nobre, caída em desgraça. Vai com eles para Ceuta, trabalhando para os alimentar e cuidando dos membros doentes. A caridade dilata o seu coração. Insurge-se com os maltratos infligidos pelos cristãos aos trabalhadores muçulmanos. Procura o guia de um padre que o impele à leitura do Evangelho e de livros piedosos.

Volta à Espanha e mergulha horas e horas na leitura de livros de espiritualidade. Anda pelos lugarejos vendendo livros aos literatos e imagens aos analfabetos e às crianças. Teve uma visão, aos quarenta e um anos, que o levou a Granada onde vendeu livros numa pequena loja. Por isso é o santo padroeiro dos livreiros e tipógrafos.

Depois de escupatrono2tar um sermão pelo famoso João de Ávila sobre arrependimento, ficou intensamente perturbado pelo pensamento nos seus pecados. No meio do povo grita constantemente "Miseri- córdia, meu Deus Misericórdia!" Parece enlouque- cido: lança-se ao chão, bate com a cabeça nas pedras, arranca pedaços de barba. Quando passava, as crianças corriam atrás dele gritan- do-lhe: "louco, maluco!". De roupas rasgadas e em pranto, era alvo de insultos, de piadas, e até de pedradas e lama arremessadas pela população da vila.

Foi internado com os lunáticos e tratado como era hábito naquela época: amarrado e açoitado diaria- mente. João de Ávila veio visitá-lo, dizendo-lhe que a sua penitência já durava há tempo suficiente – quarenta dias, o mesmo período que Jesus sofreu no deserto – e fez com que João fosse levado para uma zona melhor do hospital.

Mais livre de movimentos, embora ainda como doente, começou a ajudar os outros doentes à sua volta. Quando via alguém ser açoitado ou chicoteado censurava os enfermeiros aspera- mente: "Malandros, porque tratais com tamanha crueldade estes pobres infelizes, que moram nesta casa de Deus ? Não seria melhor ter compaixão das suas provações, mantê-los limpos e dar-lhes de comer com caridade e carinho?” E dizia-lhes que estavam ali para cuidar dos doentes e não para maltratá-los. Como resultado, era frequentemente ele que era maltratado.
Certo dia apresentou-se ao director do manicómio e disse-lhe que se sentia de boa saúde e livre de qualquer angústia. Que queria sair para fundar um hospital. O director acreditou e deixou-o ir embora. Começou trabalhar catando e vendendo lenha, até poder comprar um casebre e ai abrigar os primeiros desamparados. Como a casa ficava em frente ao mercado do peixe ele pedia o que sobrava, cozinhando-os para os seus protegidos. Em breve tempo tornou-se no "pai dos pobres", o "patriarca da caridade", a "maravilha de Granada”. Começaram chegar as primeiras doações e assim pode ampliar a casa. João acolhe os seus doentes, dividindo-os por doença: um quarto para os febricitantes, um para os feridos, um para os inválidos; o andar térreo era destinado aos viandantes e mendigos que não tinham onde dormir. Usou da sua antiga experiência como vendedor ambulante para pedir esmola, apregoando pelas ruas na sua voz de vendedor: "Façam bem a vós próprios! Por amor de Deus, irmãos, façam o bem!". Em vez de vender mercadorias, antes aceitava tudo o que lhe pudessem dar – sobras, roupas, moedas.
Um importante prelado de Granada começa protegê-lo. Porém, um dia impõe-lhe que abandone as suas roupas esfarrapadas para vestir uma batina modesta mas limpa. E deu-lhe um nome: "chamar-te-ás João de Deus".

Um dia soou o alarme de qupatrono3e o Hospital Real estava a arder. Tendo largado tudo para se dirigir ao local, constatou que a multidão apenas estava a assistir ao hospital – e seus doentes – a serem consumidos pelas chamas. Correu para o edifício em chamas e carregou ou ajudou os doentes a sair. Quando todos os doentes estavam a salvo, começou a retirar cobertores, lençóis e colchões pelas janelas. Caiu do telhado em chamas, mas João de Deus apareceu miraculosamente de entre o fumo. Por esta razão, é o Santo Padroeiro dos bombeiros.

João estava doente quando ouviu que uma cheia estava arrastando madeira para perto da vila. Saltou da cama para recolher essa madeira do rio em fúria. Tendo um dos seus companheiros caído ao rio, João sem pensar na sua doença e segurança atirou-se ao rio para o salvar. Não conseguiu salvar o rapaz e apanhou uma pneumonia. Morreu no dia 8 de Março de 1550, no aniversário dos seus 55 anos, do amor compulsivo que o guiou durante toda a vida.

Actualizado em Quinta, 15 Abril 2010 12:11