| Presbifagia |
| Quarta, 11 Novembro 2009 11:13 |
|
Esta «dificuldade em engolir» referida pelo idoso é habitualmente subestimada pelos clínicos e pela população em geral e pode ser responsável por numerosos casos de malnutrição, desidratação e pneumonia de aspiração - os quais, em último caso, podem conduzir à morte. Como se diagnostica? O seu diagnóstico é relativamente raro em ambulatório. No entanto, em doentes hospitalizados – particularmente nos serviços de Neurologia e de Neurocirurgia – a percentagem de diagnósticos cifra-se entre os 12% e os 30%. O diagnóstico é feito através do exame neurológico, da vídeo-laringoscopia (rígida e flexível), da vídeo-flúoroscopia e dos exames imagiológicos, tais como a TAC e a Ressonância Magnética Nuclear (RMN). A que doenças é que a presbifagia pode estar associada? Os casos de presbifagia secundária podem estar associados a quadros de AVC, traumatismo crânio encefálico, esclerose múltipla e lateral amiotrófica, doença de Parkinson, neuropatia alcoólica e diabética, diversas situações metabólicas (como deficiência de ferro – Plummer-Vinson -, vit.B12, ácido fólico), doenças inflamatórias, RGE, assim como a diversos tumores da região da cabeça e pescoço. Podem também ocorrer casos de presbifagia secundária após cirurgia cervical - nomeadamente faringo-laríngea e traqueostomia – e tratamentos de radioterapia. Como se trata? O tratamento desta doença passa por um ajustamento dietético, por modificações do volume e da consistência da comida, pela adopção duma posição apropriada durante a refeição e por uma ajuda alimentar por terceiros, pelo treino da deglutição (levado a cabo por terapeutas com formação específica) e, em último caso por uma miotomia cricofaríngea. Nunca devemos esquecer, no entanto, a importância do suporte afectivo, familiar e psicológico (que passa por favorecer a autoconfiança e a autoestima) e pelo optimizar das condições temporo-espaciais das refeições.
Paulo Martins |