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A malária é uma doença febril causada por um protozoário do género Plasmodium cujo ciclo de vida decorre nos humanos e nas fêmeas de mosquitos do género anopheles. É transmitida pela picada de um mosquito, sendo que quando um mosquito infectado pica um homem, os parasitas multiplicam-se no seu fígado e sangue.
Há quatro espécies de plasmodium capazes de causar a doença:
- P.vivax e P. ovale, que podem provocar a doença anos depois - febre terçã benigna;
- P. malariae que pode permanecer anos no sangue em estado de latência com sintomas mínimos e está associada a lesões renais nefróticas - febre quartã benigna;
- P. falciparum sendo esta a única forma fatal - febre terçã maligna.
Todas as formas de malária são extremamente debilitantes, sendo a P. vivax, ovale e malariae crónicas e a falciparum uma verdadeira emergência médica por poder causar directamente a morte. A pessoa picada deve ser sempre encaminhada para um hospital, pois a partir do momento que surjam complicações, mesmo em internamento hospitalar, a mortalidade chega aos 15%. Esta virulência dá origem a lesões graves no cérebro (encefalite), pulmões (edema pulmonar), fígado (degenerescência), rins (necrose tubular) e coração (miocardite), além de uma anemia muito mais profunda do que com outros plasmodia.
Quais os sintomas e sinais da infecção por malária? O quadro clínico típico da malária aguda caracteriza-se assim por um ataque agudo de calafrios, febre elevada com temperaturas iguais ou acima de 41ºC, dores musculares e articulares e sudação profusa no fim do ataque. Com a infecção pelo falciparum, devido à gravidade das lesões, pode-se ainda entrar em coma e ter convulsões.
Quem está mais susceptível de contrair a doença? A malária é uma doença tropical e subtropical à qual estão expostas 3 biliões de pessoas, com 500 000 novos casos anuais e 1 a 3 milhões de mortes por ano, principalmente crianças com menos de 5 anos. Nas áreas super endémicas os habitantes acabam por encontrar um equilíbrio com a doença, chamado premunidade, uma espécie de imunidade parcial. São as pessoas que nunca tiveram contacto com o plasmódio que correm maiores riscos de contraírem uma doença grave se forem inoculadas. Com efeito, há 30000 viajantes de países desenvolvidos que contraem a doença por ano quando visitam os países maláricos, com várias centenas de mortes.
Que cuidados devo ter quando viajar? Uma vez que ainda não existe uma vacina contra a malária, é imperativo que os viajantes tomem algumas precauções quando vão viajar para sítios de risco. Assim aconselha-se que se protejam com repelente, aplicado nas áreas do corpo expostas, se cubram adequadamente nas horas a que os mosquitos se alimentam, ao pôr e amanhecer do sol e, acima de tudo façam quimioprofilaxia com anti-maláricos. Por estas razões convém consultar um médico para que este lhe receite o anti-malárico mais apropriado, uma vez que estes medicamentos não são inócuos e têm interacções com outros medicamentos que possam estar a ser tomados.
Se viajar é importante recordar que: - Deve tomar precauções: usar repelentes, dormir com rede mosquiteira, cobrir a maior área possível de pele e tomar medicação anti-malárica; - A prevenção é falível; - Os sintomas podem iniciar-se um mês ou mais após o contacto com o mosquito; - A infecção pelo P. falciparum pode causar a morte pelo que se tiver algum sintoma deve dirigir-se imediatamente ao hospital.
Dr. Henrique Malta Macedo Clínico Geral, especialista em Medicina do Viajante
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