Clínica São João de Deus

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Sol e Melanoma
Domingo, 11 Abril 2010 00:00

praiaEm Portugal não existem estudos a nível nacional sobre a incidência do melanoma, no entanto mundialmente sabe-se que a sua incidência aumentou mais de 2,5 vezes nos últimos 20 anos. Existem várias razões para este aumento, a exposição ao Sol e a outras fontes de radiação ultravioleta como os solários parece ser o factor mais importante.

O melanoma é um tumor maligno derivado dos melanocitos, células presentes na epiderme, a camada mais externa da pele. Geralmente conhecidos por produzirem a melanina, pigmento que dá cor à pele, os melanocitos podem estar presentes noutros tecidos, sendo no entanto e felizmente muito mais frequente na pele, órgão no qual é fácil a detecção precoce. Este tumor é o cancro de pele mais agressivo, sendo responsável por 65% de todas as mortes por cancro cutâneo.

As estratégias de combate a esta doença passam pela prevenção, tendo em conta os factores de risco, e pela detecção precoce, por o prognóstico estar directamente relacionado com a espessura da lesão avaliada no exame histológico. O único tratamento curativo é o cirúrgico se efectuado na fase localizada do tumor.

Diagnóstico

1/3 dos melanomas surge em nevos pré-existentes, enquanto os restantes parecem surgir de novo. Os nevos melanociticos são lesões benignas geralmente pigmentadas, comuns na pele, vulgarmente conhecidos por “sinais castanhos” e podem ser congénitos ou adquiridos ao longo da vida.

Os critérios ABCDE de suspeita de melanoma devem ser usados na avaliação clínica e no auto-exame pelo paciente, quer na avaliação de lesões pré-existentes, quer em lesões cutâneas que surgem de novo. Estes critérios permitem classificar uma lesão como suspeita segundo as seguintes características:

sol_melanoma

A = Assimetria da lesão
B = Bordo e superfície irregular
C = Cor irregular
D = Diâmetro maior de 6 mm
E = Evolução de lesão pré-existente como aumento de tamanho, alteração da pigmentação, hemorragia, ferida, dor.

Perante a presença de 1 ou mais destes critérios o paciente deve ser enviado ao dermatologista.

Na prática um “sinal” que muda de características ou uma lesão nova que evolua rapidamente com pigmentação irregular ou negra ou nela surja nódulo ou ferida deve ser observada pelo médico especialista.

Os pacientes, sobretudo aqueles em maior risco, devem ser educados no auto-exame, e ao médico de medicina familiar cabe o papel de aconselhamento e vigilância.

Exposição à radiação ultravioleta e protecção solar

Esta forma de radiação tem papel importante na etiologia do melanoma ao lesar o DNA do núcleo das células melanociticas. Existem estudos que relacionam as queimaduras solares frequentes na infância e adolescência (mas também após os 19 anos) com o aparecimento desta neoplasia maligna. O modelo de exposição solar está associado com diferentes riscos para os vários cancros cutâneos. Exposição solar intensa e crónica como nos agricultores e pescadores aumenta a incidência de cancros cutâneos não melanoma como sejam os carcinomas. Exposições solares intensas e intermitentes especialmente quando resultam em queimadura solar, com no lazer e nos solários propiciam ao aparecimento do melanoma. Actualmente sabe-se que tanto os ultravioletas B como os ultravioletas A estão implicados na génese de cancro cutâneo, facto a ter em conta no tipo de cremes protectores solares utilizados e também no crescente uso de solários.

Os protectores solares não conferem protecção contra a totalidade do espectro da radiação ultravioleta que chega à crosta terrestre, significando que a sua aplicação confere um grau de confiança que prolonga a exposição solar e apesar de atrasar a queimadura solar, aumenta a exposição para o parte do espectro ultravioleta não coberto e que pode ter algum papel na indução de melanoma. Por outro lado muitos utilizadores dos cremes aplicam menos do que 2mg/cm2, significando apenas 20% a 50% da protecção anunciada.

Os pacientes devem ser instruídos nos métodos mais eficazes de protecção solar:
1 – Evitar a exposição solar sobretudo nas horas de pico – entre as 11 horas e as 16 horas
2 – Recorrer à sombra
3 – Usar roupa protectora – chapéu e camisola
4 – Utilizar cremes protectores solares, sabendo que isoladamente não são suficientes
5 – Evitar solários

 

Dr. João Teles de Sousa
Médico Dermatologista