Atendimento Médico Permanente

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A Clínica S. João de Deus passa a dispor de um Centro de Tratamento da Coluna Vertebral, no qual se prestam serviços desde consultas de especialidade a cirurgias e a procedimentos percutâneos, mini-invasivos, efectuados sob sedação, com anestesia local e em regime ambulatório.

Este Centro possui todos os meios humanos e técnicos para proporcionar aos seus utentes vários tipos de tratamento para as diversas doenças que afetam a coluna vertebral, donde se destaca o tratamento não cirúrgico, indicado para determinado tipo de hérnias discais e para as fracturas por osteoporose , além dos vários tratamentos para as dores na coluna com origem nas osteoartroses.

Hérnias Discais

Conforme o nome indica, trata-se de uma hérnia com origem no disco intervertebral, ou seja, “um disco fora  do sítio” ou deslocado da sua posição habitual. O disco intervertebral tem dois componentes, um exterior, o anel fibroso que contém no seu interior o núcleo pulposo, material mole e depressível que funciona como um amortecedor entre as vértebras.

A hérnia resulta de uma rotura do anel fibroso por onde se insinua e faz saliência o material, em regra degenerado, do núcleo pulposo. Quando esta saliência (hérnia) comprime um nervo ou raiz raquidiana, resulta um quadro clínico com dor irradiada pelos membros superior ou inferior, conforme se localiza na região cervical ou na lombar. Neste último, a dor resultante é, vulgarmente, conhecida por ciática.

Se a hérnia ocorrer a nível dorsal, pode resultar uma dor irradiada pelo tórax, em cinturão. Além das dores nos membros podem ocorrer outros sintomas, como formigueiros, picadas, sensação de encortiçamento e, até diminuição da força muscular. O aparecimento destes dois últimos sintomas ocorre, habitualmente, associado a um alívio do quadro doloroso; a falta de força num pé é um sinal de pior prognóstico

As hérnias lombares são as mais frequentes e as dorsais as mais raras. Na origem das hérnias discais estão fragilidades individuais, movimentos bruscos de extensão e/ou torção do tronco, execução de esforços ou o levantar de pesos com a coluna fletida, além da existência de outros fatores, como os erros posturais, sedentarismo, etc. Também a obesidade, pelo excesso de peso, e o tabagismo, pelas alterações que acarreta na micro-vascularização arterial, são fatores condicionantes do desenvolvimento das hérnias discais.

Tratamentos

No que respeita ao tratamento devem ser sempre esgotados os tratamentos médicos “não agressivos” e recorrer aos outros métodos, nomeadamente cirúrgicos, depois do insucesso dos primeiros.

De um modo geral a crise dolorosa é sempre tratada na fase aguda com repouso absoluto e medicamentos injetáveis. Com o alívio dos sintomas, o repouso passa a relativo, mantém-se a medicação, injetável ou oral, e podem iniciar-se tratamentos de Medicina Física, isto é, de Fisioterapia.

O recurso a uma cinta ortopédica lombar, ou colar cervical, em certas condições pode ser vantajoso. Passadas as dores mais intensas, é benéfica a tonificação muscular abdominal e para vertebral, através do recurso à hidroginástica e natação. Se a situação evoluir favoravelmente segue-se o retorno à atividade habitual.

A maioria dos doentes melhora com os tratamentos mais simples, sem recurso a outras práticas mais agressivas. Caso contrário, se as queixas persistirem, pode haver lugar a tratamentos mais especializados nos quais se incluem:

  • Infiltrações epidurais
  • Tratamentos com radiofrequência

A radiofrequência (RF) é uma forma especial de eletricidade. A que é usada em nossas casas é uma corrente alterna com uma frequência de 50 ciclos por segundo. Na RF a frequência é muito mais elevada, na ordem dos 500000 ciclos/segundo.

Este tipo de tratamentos para a dor com RF é efetuado com agulhas e tem sido usado desde há cerca de 40 anos. São sempre efetuados sob controlo radiológico, pois de outra forma não seria possível colocar as agulhas no local exato. Os tratamentos eram e são executados com agulhas especiais, isoladas no seu trajeto, pelo que a ponta metálica, não isolada, fica em contacto com o ramo nervoso onde o tratamento é efetuado.

A maioria dos tratamentos foi e, ainda é, em muitos centros, efetuada com correntes elétricas contínuas (RF) que desenvolvem uma temperatura na ponta de, cerca de 80 graus centígrados, provocando lesões junto a estruturas nervosas profundas, de modo a interromper a passagem do estímulo doloroso. Este tipo de tratamentos é usado, sobretudo, para lesão dos ramos nervosos das facetas articulares lombares, no interior dos discos para vaporização do núcleo pulposo, em particular na coluna lombar. 

Nos últimos anos têm tido cada vez uma maior aplicação os tratamentos efetuados com radiofrequência na forma, não de corrente contínua, mas sim pulsada (pRF). Este tipo de tratamento não provoca lesão das estruturas nervosas, mas sim alterações na condução dos estímulos dolorosos nos troncos nervosos, através da criação de um campo eletromagnético. As agulhas só atingem temperaturas até 42 graus centígrados. Com este tipo de radiofrequência na forma pulsada é possível alargar o âmbito das indicações, pois é possível fazer os tratamentos junto aos gânglios das raízes raquidianas, desde a coluna cervical até à coluna lombar e, assim fazer os tratamentos para alívio da dor.

Estes tratamentos de radiofrequência são efetuados em regime ambulatório e com anestesia local, por vezes com necessidade de recurso a uma sedação se a pessoa em tratamento, se encontra muito tensa, contraída, ou é muito sensível à dor. No final do tratamento é necessário um período de recobro de curta duração, ao fim do qual o doente pode ter alta para o seu domicílio.

 

  • Infiltrações, neurólises, nucleólises com Ozono

Está provado que a injeção intradiscal de uma mistura de Oxigénio e Ozono, associada à injeção junto à hérnia e ao nervo comprimido dá excelentes e bons resultados em cerca de 80% dos doentes tratados e em 2014 foi publicado um trabalho, que evidencia que o efeito se mantém ao fim de 10 anos em cerca de 75% dos doentes tratados.

O Ozono injetado dentro do disco reduz-lhe o volume e, diminui a consequente pressão exercida no nervo que é a responsável pela ciática; por outro lado a injecção junto ao nervo tem propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. 

O tratamento dos discos herniados com OZONO é um procedimento eficaz e, extremamente seguro. A melhoria verificada quanto à dor e à capacidade funcional no dia-a-dia é impressionante, tendo em vista os largos critérios de inclusão, que incluem doentes dos 13 aos 94 anos com todo o tipo de hérnias discais.

A evolução quanto à melhoria dos sintomas, é idêntica à das hérnias discais lombares tratadas com cirurgia, mas a percentagem de complicações é muito mais baixa (Inferior a 0,1%) e o tempo de recuperação é, significativamente, mais curto.

Nem todas as hérnias têm indicação para este tipo de tratamento, nomeadamente, as hérnias com grandes dimensões ou com fragmentos migrados, as hérnias com componente cálcico e as hérnias recidivadas de cirurgias, previamente, efetuadas. Nestes casos, se os sintomas persistirem, há indicação para tratamento cirúrgico, de preferência, microcirúrgico.

 

  • Cirurgia

No que respeita à cirurgia, é possível recorrer a vários tipos de técnicas, conforme a situação clínica e imagiológica de cada doente. Abaixo se discriminam os métodos de tratamento cirúrgico, mais utilizados:

  1.  Discectomia (Remoção do disco) manual ou aspirativa, percutâneas;
  2.  Cirurgia Mini - Invasiva com Endoscopia percutânea;
  3.  Cirurgia Microscópica com ou sem fixação;
  4. Cirurgia a "céu aberto", tipo clássico, simples ou com instrumentação.

Cada uma destas técnicas tem a sua indicação própria:

1- Discectomia percutânea com anestesia local e sedação, para os casos de hérnia discal contida, isto é, não extrosada ou migrada.

2- Cirurgia mini — invasiva com endoscopia, sob anestesia local e sedação, para as situações de hérnia discal lateralizada a um dos lados, extrosada, mas não migrada. É uma técnica recente, em breve implantada entre nós.

3- Cirurgia microscópica, usualmente efetuada sob anestesia geral, a cirurgia é executada com o microscópio cirúrgico.

4- A cirurgia a “céu aberto” é a forma clássica de operar com exposição da coluna vertebral, através da abertura e descolamento de toda a massa muscular. A maior parte destas cirurgias são efetuadas através de laminectomias, isto é, com remoção da parte posterior das vértebras. Este procedimento é desnecessário, pois, para remover uma simples hérnia, ou para descomprimir os nervos raquidianos, nos casos de estenose ou aperto do canal vertebral, basta recalibrar o canal vertebral, preservando todos os componentes da coluna, sem os remover na sua totalidade. Mais tarde este tipo de procedimentos pode acarretar instabilidades vertebrais, que originam dores e podem vir a necessitar de correção cirúrgica.

Em geral, este tipo de cirurgias não acarreta riscos, sobretudo se efetuada por cirurgiões experientes. Acompanha-se, sim, de alguma morbilidade no pós-operatório imediato e tardio, devido ao descolamento muscular que pode acarretar dores lombares e, por vezes, à formação de fibrose dentro do canal vertebral, no local operatório, podendo ocasionar sintomas de tipo neuropático.

Fraturas por Osteoporose

As fraturas dos corpos vertebrais nos Países Ocidentais são um problema de grande relevância, não só pelas dores, deformação e incapacidade que ocasionam, como pelos custos que acarretam os seus tratamentos.

Estas fracturas podem ter causas variadas mas, na sua grande maioria são devidas a osteoporose e ocorrem em idades mais avançadas. Porque provocam dores e incapacidade, devem ser tratadas por métodos percutâneos sob sedação, por vertebroplastia ou por cifoplastia.

Tratamentos:

  • Vertebroplastia

vertebroplastia consiste na injeção de cimento na vértebra fraturada para reforço da sua estrutura. A injeção do cimento pode ser efetuada de um ou dos dois lados. O cimento é injetado na forma líquida, num volume entre 2,5 a 4 ml, sob visualização direta da radioscopia. Ao fim de algumas horas o cimento solidifica e o doente pode iniciar o levante da cama, podendo regressar ao seu domicílio no mesmo dia ou no dia seguinte.

O procedimento é efetuado sob anestesia geral ou sedação e anestesia local, com o doente posicionado em decúbito ventral (De barriga para baixo), sob visão do intensificador de imagem, de preferência com visão em dois planos recorrendo a dois aparelhos. Para maior segurança, a injeção do cimento deve ser efetuada sob visão direta, para evitar o seu extravasamento para a circulação sanguínea e, consequentes embolias pulmonares.

 

  • Cifoplastia

Como o nome indica é uma técnica de plastia ou reforço da vértebra enfraquecida pela osteoporose, com diminuição da sua altura ou angulada em cunha.

O Procedimento é idêntico ao da vertebroplastia. De um modo geral são introduzidas duas sondas, para permitirem a inserção de dois balões que ao expandirem até uma pressão de 250 psi, corrigem o colapso ou a angulação da vértebra fraturada e, ao mesmo tempo criam um espaço para ser preenchido, de modo fácil, pelo cimento.

A análise das séries de doentes tratados aponta para bons resultados com a técnica da vertebroplastia e, em particular, com a da cifoplastia. Embora mais dispendiosa a cifoplastia apresenta, de um modo geral, melhores resultados no alívio das dores e na correção da deformidade, com os consequentes ganhos na funcionalidade nas tarefas diárias e numa melhor qualidade de vida.

No que respeita às complicações, nomeadamente, embolias pulmonares, complicações neurológicas e mortalidade são muito baixas para ambos os procedimentos. Como em todos os actos médicos é necessário experiência prévia e ter em conta os riscos inerentes à situação base do doente (idade e doenças concomitantes).

Os custos são, significativamente, mais elevados com a cifoplastia devido, sobretudo, ao material usado, que inclui os balões para expansão dos corpos vertebrais

Na prática corrente limita-se o uso da cifoplastia para os doentes com fraturas sintomáticas e sem défices neurológicos, nos quais os tratamentos conservadores com o uso de cintas ou coletes não resultaram, pois permitem dar aos doentes tratados uma maior mobilidade e uma melhor qualidade de vida.

Dores na Coluna

As dores da coluna vertebral incluindo a região sacroilíaca, são um sintoma frequente, e podem ocorrer de forma aguda subaguda ou crónica. Muitas situações podem e, devem, ser evitadas com correção de posturas incorretas e mudança de hábitos nas tarefas diárias.

As situações de dor aguda são, habitualmente, atendidas nos serviços de urgência. Já outras situações exigem uma abordagem multidisciplinar e a intervenção do neurocirurgião é, muitas vezes, determinante. Podem ser efetuados uma série de tratamentos na coluna vertebral, por via percutânea, com ou sem sedação e com anestesia geral. 

Tratamentos:

  • Infiltrações dos tipos mais variados para tratamento de dores locais ou irradiadasumas efectuadas na consulta externa e outras no bloco operatório como por exemplo as infiltrações epidurais, as infiltrações nas articulações (artroses), junto aos nervos afectados (foraminais), intercostais;
  • Bloqueios anestésico  em vários locais com propósitos diagnósticos e terapêuticos;
  • Tratamentos de Radiofrequência  em todas as regiões da coluna e têm por objetivo a desnervação ou desvitalização das zonas dolorosas;
  • Aplicação de estimuladores medulares em determinadas situações dolorosas crónicas;
  • Outras intervenções percutâneas diagnósticas ou terapêuticas.